França. Bombeiros "exaustos" e "impotentes" perante avanço do fogo

França. Bombeiros "exaustos" e "impotentes" perante avanço do fogo

As chamas estão este domingo a 15 km de Bordéus, no sudoeste de França, com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, a reconhecer que "a situação continua muito desfavorável" na frente de fogo em Gironda, bem como em Landes e Var.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Bombeiros durante o combate às chamas em Ares, Gironda, França Foto: Stephane Mahe - Reuters

Está a ser impossível combater fogo às portas de Bordéus que está a "alastrar em todas as direções", com os bombeiros a sentirem-se "impotentes" contra uma "tempestade de fogo" sem precedentes.

"Estamos perante um incêndio do tipo 'convectivo', que cria os seus próprios ventos e muda constantemente de direção, ao contrário de um incêndio típico que se propaga em forma de cone. Como resultado, propaga-se em todas as direções, com múltiplos focos de incêndio, tornando a situação completamente imprevisível", explicou à Agência France Presse o tenente-coronel Éric Brocardi, porta-voz da Federação Nacional de Bombeiros. "A situação no terreno é mais defensiva do que ofensiva: trata-se de uma estratégia de guerra; estamos a ser constantemente bombardeados e precisamos de levar todos para um local seguro".

Esta preocupação é agravada pela previsão do tempo. 

Aguarda-se uma nova onda de calor e os bombeiros estão a aproximar-se de uma "impossibilidade operacional", explicou Brocardi, perante florestas "muito secas, há meses.

O Palácio do Eliseu anunciou que o presidente Emmanuel Macron irá presidir a uma reunião interministerial de crise na segunda-feira, às 10h00. Esta reunião será realizada no Ministério do Interior e terá lugar antes de uma reunião de gabinete agendada para as 11h00.
Fogo a "15 Km de Bordéus"

O fogo de Gironda, na costa atlântica francesa, já consumiu 42 mil hectares (quatro vezes o tamanho de Paris).

As chamas chegaram a "15 quilómetros" da área metropolitana de Bordéus, que conta com 850 mil habitantes. A evacuação da cidade "não está nos planos", reafirmou contudo o presidente da câmara, Thomas Cazenave. Nas proximidades, a rede de indústrias de defesa e instalações científicas em torno do Aeroporto de Bordéus-Mérignac, incluindo uma fábrica de pólvora, uma fábrica de mísseis e centros de investigação, está agora sob vigilância constante, exposta ao enorme incêndio.

Nesta região, mundialmente famosa pelas suas vinhas, o governo afirma ser "muito provável" que esta seja a maior operação de evacuação civil alguma vez realizada em França fora de uma zona de conflito. 

O incêndio já está entre os maiores em França desde a Segunda Guerra Mundial.

São já mais de 220.000 as pessoas que tiveram de abandonar as habitações nos últimos dias. Pelo menos 240 casas foram destruídas pelas chamas.

O fogo fez cortar várias estradas nacionais, também a autoestrada A63 que liga Espanha à região de Gironda. A linha ferroviária está também interrompida no sul de Bordéus.

A rede elétrica foi também afetada e há 500 clientes sem energia em Gironda e 780 em Landes, indicou a Enedis, operadora da rede de distribuição de energia elétrica, à Agence France-Presse (AFP), acrescentando que a situação permanece "muito instável", uma vez que algumas áreas afetadas são inacessíveis às suas equipas.

A presidente do departamento de Gironda indicou, este domingo, que o regresso a casa das 220 mil pessoas retiradas não acontecerá "até que o fogo esteja controlado". Descartou também qualquer trabalho na segunda-feira nos municípios afetados, antes de um possível agravamento da situação na terça-feira devido à esperada subida das temperaturas.

"Peço aos turistas que não venham, que não vão a Gironda", acrescentou Sophie Brocas, sugerindo ainda que "os turistas que já lá estão considerem outro destino".

Quase 40 mil turistas, alojados em 45 parques de campismo em Gironde e Landes, devastados por intensos incêndios, foram evacuados até ao momento, informou este domingo a Federação Nacional de Hotelaria ao Ar Livre (FNHPA).

c/agências
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